FAQ: o comportamento das crianças na quarentena


Quando o assunto é o comportamento de crianças na quarentena é difícil saber o que é mais desafiador: briga entre irmão intensificadas, tédio a todo mundo, excesso de telas, falta de tempo para os adultos trabalharem ou simplesmente não fazerem nada.


Denise Mazzuchelli, da Rede Bloom, psicóloga, mestre em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento Infantil e mãe da Yasmin, do João e da Morena, responde às dúvidas sobre esse tema que chegaram à nossa equipe nas redes sociais.


Escola, o que fazer?

Viva um dia de cada vez. Se hoje foi possível encaixar na rotina as atividades da escola, sem aflição ou cobrança excessiva, ótimo. Se não deu, não se cobre por mais essa demanda. Importante dizer que você não vai substituir a escola. Quando o isolamento acabar as escolas (de todo o mundo) irão recalcular a rota, os especialistas vão trazer sugestões sobre como dirimir os prejuízos e a vida vai seguir. Não sobrecarregue a sua rotina com a obrigação de alfabetizar seu filho. Você pode dizer “hoje não consigo me ocupar com isso.” Amanhã é um novo dia.

Como fazer para a criança brincar sozinha?

Primeiro, calibre suas expectativas. Não é real imaginar que a criança vai passar o dia todo brincando sozinha. Mas é possível que ela consiga minutos, às vezes horas (com intervalos) de brincadeira. Brinque um tempo com a criança antes de deixá-la. Você pode deixar que ela comande e diga o que quer fazer. A partir de 2 anos, a tendência é que ela comece a dar ordens (ela pode dizer coisas como “agora finja que eu sou a rainha”, “agora você é um bebê, combinado?”). A partir dessa idade a criança também começa a narrar o que está fazendo, e aos poucos ela começa a conversar consigo mesmo, como se estivesse pensando em voz alta. Quando ela engatar nessa conversa é hora de você se distanciar.

Pode ser uma alternativa também vocês dividirem o mesmo ambiente, cada um com seu “trabalho”. A depender da idade ela pode entender e até se sentir bem por estar, como você, dedicando-se às próprias atividades. Outro ponto importante sobre esta pergunta: lembre-se que o tédio também é oportunidade de se desenvolver, de ser criativo e de buscar alternativas.

Como conciliar o trabalho em casa com atenção e cuidado com as crianças?

Um desafio imenso mesmo, receba meu abraço e se dê esse abraço: está muito difícil mesmo e você não está exausta à toa. Não existe fórmula mágica, cada família precisa descobrir o que funciona para si. Reúna energia para cada momento e viva realmente um dia de cada vez. Pode ajudar se você organizar em blocos as suas horas de trabalho enquanto as crianças fazem atividades que não exigem a sua atenção, como assistir a um filme, por exemplo. E intercale esses blocos com momentos de conexão com eles (ler um livro, por exemplo). Ajudar nas tarefas de casa, como preparar um alimento ou organizar um cômodo, também vale!

Como lidar com a briga entre irmãos?


Irmãos brigam, e isso é normal e ótimo para o desenvolvimento de várias habilidades essenciais para a vida – o que não quer dizer que seja fácil para os pais. Uma briga “desproporcional” pode ser a ponta de um iceberg. O que seus filhos estão precisando quando conflitam por qualquer coisa?

Respire fundo quantas vezes forem necessárias e pergunte a eles: “esse é um problema pequeno, médio ou grande? Se for pequeno, vocês conseguem resolver sozinhos e sem ajuda – eu sei que vocês são ótimos para isso. Um problema médio precisa da ajuda de alguém e de um tempo maior para ser resolvido. Um problema grande exige muita ajuda e demora uns dias para ser resolvido”. Essa pergunta sobre o tamanho do problema tende a fazer a criança pensar em solução em vez de ficar emaranhada emocionalmente na situação.

Muito tempo ocioso e excesso de solicitação de telas. Como administrar essa situação?


Um dos desafios desta quarentena é que ela colocou em suspensão a nossa rotina. Tudo o que nos ocupava foi tirado do lugar. O tédio vai aparecer e, por mais difícil que seja lidar, ele traz um convite muito potente: o da criatividade. Estamos sendo convidados a aprender, de novo, a olhar para o mundo com curiosidade, como se fosse a primeira vez.

Na prática, quando seu filho se queixar de tédio, tente validar seus sentimentos de forma genuína, não retórica: “eu entendo, filho, não poder fazer as coisas que você estava acostumado a fazer. Para mim também está sendo muito difícil. O que podemos fazer juntos para você se sentir melhor?”.

O tempo de telas pode aumentar mesmo, porque nós (adultos e crianças) estamos tentando fugir do ócio e de nossas angústias. Na medida do possível (e se possível, sem culpa), tente propor substituições com experiências ativas, seja na construção de um brinquedo ou na execução de algo para comer, como um suco ou uma sobremesa.

Quando as telas forem usadas, tente selecionar o que a criança pode ver e usar. Crie uma playlist, escolha apps educativos, assistam a um filme em família ou ouça as histórias do Bloom.

Como manter a organização da casa com a ajuda das crianças?

As crianças (e nós também) tendem a aderir a regras que elas ajudaram a construir. Nesse sentido, pode ajudar vocês fazerem uma reunião de família para definirem juntos algumas responsabilidades. Com a ajuda delas, faça uma lista de atividades essenciais para a casa funcionar e pergunte como cada um pode ajudar. Tente focar no ponto forte de cada um para encorajar que cada pessoa dê o seu melhor e a rotina flua com mais leveza. Pequenas metas cumpridas podem se tornar encorajadoras para todos.

Como conciliar tarefas: trabalho + atenção às crianças + interesses pessoais?

Um desafio enorme! Estamos todos aprendendo como fazer e nos adaptando dia após dia... Organizar o dia em blocos, intercalando os momentos de atenção integral ao(s) seu(s) filho(s), com horas de trabalho e outras atividades que te dão prazer. Se tiver um(a) companheiro(a) com quem possa revezar, pensar em turnos para que tenham intervalos – ainda que breves – de dedicação exclusiva ao que te interessa.

Como conciliar atividades entre uma criança de 4 anos e uma de 1 ano?


Esse desafio certamente está muito potencializado com a quarentena. Na medida do possível, busque atividades que possa interessar aos dois, como ler um livro em família. Você também pode pedir ao mais velho que “leia” ou invente uma história para o mais novo. Outra atividade que permite a integração dessas idades é dançar – com vídeos na TV, no computador ou apenas o som. Massinha caseira ou receitas para fazer em família também podem funcionar. E aí, o que precisamos muito nos dizer para que as expectativas ou frustrações não nos engula é: o importante não é a finalidade, mas a o percurso – o tempo que vocês estão juntos, os olhares que trocam, as risadas e desafios que surgem, as conversas que vocês têm antes, durante e depois.

Quais atividades prendem a atenção de uma criança de 2 anos e 11 meses por mais de 15 minutos?

Crianças amam brincar sozinhas e precisam disso. Mas, algumas se tornam dependentes dos adultos e demandam atenção. É importante você se disponibilizar por alguns minutos – isso aumenta muito as chances de ela se engajar na atividade e você conseguir sair. Crianças tendem a se ocupar de forma atividade quando o brinquedo é passivo. Isso quer dizer que há mais chances de seu filho se concentrar em uma brincadeira com utensílios domésticos (panela, copo de plástico, retalho de pano) do que com um eletrônico que toca músicas e pisca luzes.

Sobre o Bloom

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